Tentei encontrar alguma referência em alguns autores e também
fui até Argemiro Brum, sendo que ele reforça a ideia de uma economia
agroexportadora, incapaz de promover diversificação que pudesse ameaçar
Portugal, estando tal possibilidade mais próxima da economia mineradora. Katia
Mattoso já se distancia dessa via restrita mostrando haver estreiteza entre a
economia canavieira da Bahia e a diversificação. Aliás, os verdadeiros “homens
de negócio” , segundo ela, são comerciantes que adquiriram engenhos e cuidavam
do comércio transatlântico e redistribuíam pelo Brasil produtos desse comércio.
Percebe-se ai uma incidência de mercado interno atrelado a uma rede de ligação com
o mercado externo (Ásia, África e América), e feito por brasileiros ou portugueses
radicados no Brasil. Aqui surge uma possibilidade de romper com o monopólio
metropolitano, já que Salvador se tornou o mais importante porto do Atlântico
Sul.
Sendo objetivo, Salvador, e a Bahia, teriam realmente
todas as condições para ameaçar Portugal e seu monopólio dominando um comércio
local e internacional através de uma incipiente “burguesia colonial” que vinha
se tornando autônoma. A questão, então, seria: será que isso provaria a existência
de uma possível trama para deixar a “Cidade da Bahia” de joelhos?
Como todas as inquietações e incertezas existentes no
estudo da história, desejaria obter referências mais específicas, confiáveis e
precisas que confirmassem ou não a discussão inicial deste blog. Quais autores
brasileiros tratam sobre essa discussão, já que a própria Katia Mattoso faz
referência a brasilianistas?
Referências
BRUM, Argemiro J.O
desenvolvimento econômico brasileiro. 17ª ed. Petrópolis: Vozes, 1997.
MATTOSO, Katia M. de Queirós. Da Revolução dos Alfaiates à riqueza dos baianos no século XIX:
itinerário de uma historiadora. Salvador, Corrupio, 2004.
A farinha de mandioca também pode ser mencionado como parte desse mercado agrícola que desde o século XIX garantia essa diversidade na produção baiana. Entretanto, outro brasilianista tem um livro sobre isso, Bert Barickman em O Contraponto Baiano.
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ExcluirSem dúvida que o brasilianista Bert Barickman com seu “O Contraponto Baiano” contribuiu e ajudou a desmistificar a ideia de que no Recôncavo baiano só se produzia açúcar. Se hoje os livros didáticos comentam sobre lavouras de subsistência e de outras culturas como fumo, cacau, mandioca, etc.. Barickman teve seu peso nessa mudança.
Excluir“O Contraponto Baiano” abre espaço para, no mínimo, duas situações que venho citando neste blog, algumas delas alicerçadas por autores já citados no mesmo. A primeira é acerca da existência de outras culturas à margem da produção canavieira, cujas oscilações mostravam sua grande importância para a população que as cultivava, pondo fim à ideia da existência de que nesta parte da Bahia havia apenas senhores de engenhos e lavradores de cana, assim como para as populações que a consumia.
Outra situação seria a possibilidade de exportação do produto principal da mandioca, fazendo surgir um escoamento, principalmente agitando um comércio dentro da Colônia, mais especificamente, dentro da Bahia. Na verdade Barickman defende a ideia de um mercado interno ativo, até porque o recorte de seu período de estudo foi entre 1780 e 1860 quando na Bahia já havia, no século XVIII, uma prática de continuidade comercial.