Charles Boxer praticamente apresenta indícios da
decadência do Nordeste, e da Bahia, a partir de algumas justificativas como a
regularidade das contribuições do “donativo voluntário” (arrecadação) serem
mais visíveis no Rio de Janeiro do que em Salvador, da descoberta do ouro e do
diamante na região das Geraes, o que levou a mudanças demográficas, da expansão
da colonização para o interior (Minas Gerais), tudo isso mostrando a importância
política e econômica da região mineradora e do Rio de Janeiro sobre Bahia e
Pernambuco, importância esta reconhecida com a mudança da capital.
Analisando as informações do citado escritor, percebe-se,
contudo, que mudanças ocorreram devido um crescimento no Centro-Sul, mas ele
não deixa claro que houve, necessariamente, uma decadência econômica no
Nordeste. Na verdade, parece que esta região, e dentro dela a Bahia,
continuaria em pleno crescimento, mas que Rio de Janeiro e Minas Gerais
apresentavam resultados mais satisfatórios, a fim de que se justificasse a
transferência da capital colonial. Em termos econômicos, o crescimento de uma
região não levou exatamente à decadência da outra. Sendo assim, pode-se
pressupor que houve uma decisão política?
Sei que detalhes como esses parecem ser desnecessários e
sem importância, mas quando focamos em determinado objetivo, tentamos encontrar
nas linhas, e nas entrelinhas, algo que possa elucidar nossas dúvidas.
Volto a solicitar fontes que possam responder tais
questões e caso alguém possua Homens de Negócio e Bahia: a cidade do Salvador e
seu mercado no século XIX, este para que possa saber se existe algum comentário
sobre a origem da fortuna dos baianos anteriormente a este século, ambos de Katia
Mattoso, favor enviar informações de suas respectivas leituras.
A pergunta insiste: Salvador foi “sabotada” por ser uma
potência colonial a ponto de ameaçar Lisboa e os ingleses, ou realmente nossa
cidade estava em decadência econômica, conforme aprendemos desde nossas
formações iniciais?
Fontes:
BOXER, Charles R. A
idade de ouro do Brasil. 3. Ed. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.
fiquei muito interessado sobre este tema, principalmente em focar a bahia pela sua contribuição econômica no periodo colonial, então como foi falado não houve uma justificativa evidente quanto a mudança para outras vias, penso que as elites daquele tempo, tinham um propósito econômico de evoluir para outras grandes cidades por assim ter maiores contribuições de arrecadação e um plano politico de conseguir maiores vantagens.
ResponderExcluirOs motivos pelos quais elites trocam de espaço, com certeza seria para locais que as sustentassem economicamente, mas sem dúvida que este não seria o caso dos comerciantes baianos, pois os mesmos estavam tendo conquistas em termos de mercado em Salvador, especialmente com relação ao comércio triangular (Brasil – Angola – Portugal). Sendo assim, pode-se ter como suspeição que essa mudança seria por conta das “elites” do que é hoje a região Sudeste.
ExcluirFoi postado neste blog que além de fontes externas (Portugal e Inglaterra), grupos internos (Minas Gerais e Rio de Janeiro) viam com maus olhos o crescimento, sob características autonomistas, de Salvador. Não seria difícil imaginar que havia intensões de crescimento por parte do Centro-Sul e que nossa cidade era uma ameaça.
Ademais, o quão grande era o Rio de Janeiro para ser considera uma ameaça a Salvador, esta já toda estruturada. Sabe-se que no período da chagada da família real portuguesa no Brasil, a então segunda capital da Colônia não apresentava estrutura, ao contrário da primeira, embora muitas vezes tenhamos aprendido o contrário.
Quanto às vantagens citadas por você, concordo plenamente, pois estas podem ultrapassar a ideia de crescimento “natural” de uma cidade, para ser um crescimento forjado (em termos políticos), pelo menos com relação ao Rio de Janeiro, embora penso que por trás de qualquer crescimento exista sempre uma intensão. Devemos acreditar que esta cidade era um excelente porto, também porta de entrada e de saída de muita coisa, inclusive ouro, mas cujo mercado externo era inexiste ou inexpressivo, se comparado com o de Salvador, e que precisava ser construído.
Narrativa envolvente.
ResponderExcluirCreio que tenha prevalecido uma questão política, e ou, até mesmo uma ideia de criar outros polos lucrativos além do Nordeste. Creio que por mais interessante que fosse Salvador, por exemplo, seria considerável um prejuízo ter tantos domínios mas com uma singela porção produtiva e estabelecida politicamente. A vinda da família real portuguesa nos faz se perguntar: em que momento as terras da América deixaram de ser um celeiro para ser uma possível extensão do reino?
Isso pode nos ajudar a entender as mudanças ocorridas.
Considero que a questão política tenha prevalecido, face aos fatos apresentados pelos autores citados, pois Salvador era um poderoso ponto do Atlântico Sul que comercializava com as principais rotas do mundo, naquele século; concordo com a ideia do interesse de se criar novos polos, mas então podemos admitir que Salvador era um perigo ao se conectar comercialmente com outros domínio, assim com devemos considerar que essa autonomia da "Cidade da Bahia" era preocupante para Lisboa. Sei que a história não é feita de "se", mas será que, caso Portugal não abortasse (se assim o fez) o processo de crescimento de Salvador, aqui não seguiria o destino da Costa Leste dos EUA, com Nova York na liderança? Peço perdão pela prática nada correta de imaginar a história como uma possibilidade de fatos, mas fui seduzido pela ideia.
ExcluirCom relação às terras da América portuguesa, estas não seriam apenas celeiro e sim a base do próprio Reino de Portugal, e isto foi perfeitamente percebido quando da presença da família real por aqui, visto que boa parte da burguesia portuguesa via o status de igualdade dado ao Brasil como uma ameaça à sobrevivência de Portugal.
A capital da Colônia foi transferida para o Rio de Janeiro, há meu vê, por três razões primordiais para o período, razões de ordem militar, politica e, claro, econômica. Principalmente, como está inserido no texto, o crescimento da região sul ocasionado pelo avanço da exploração de ouro na região de Minas Gerais e as demais províncias produtora. A politica econômica colonial tinha uma preocupação muito grande com o contrabando dos metais preciosos e, precisava se encontrar mais próxima dessas regiões produtoras, afim, de ter um controle maior.
ResponderExcluirCaro José Mário, Ciro Flamarion confirma o crescimento do Centro-Sul como fator primordial da mudança da capital de Salvador para o Rio de Janeiro. Um dos fatos que avaliza tal ideia seria a intensa imigração portuguesa para esta região; além disso, ele adverte que a chegada, cada vez mais frequente, de escravos para este polo seria outro reflexo. Acredito que, provavelmente, esses escravos vieram da África e do tráfico interno (seria uma provável decadência do Nordeste vista neste fato?).
ExcluirConcordando com seu pensamento, a posição geográfica do Rio de Janeiro, estrategicamente mais próxima da região das minas do que Salvador, e as questões políticas, envolvendo a fronteira sul com a América espanhola, são defendidas por Flamarion, como você também a defendeu.
Com relação ao comércio exterior, o mesmo autor destaca que entre 1796 e 1807, o porto do Rio de Janeiro já se destacava como principal, enquanto que o de Salvador vinha a seguir; portanto, apesar da decadência, este continuava a ter comércio com a costa da África (fumo).
Fonte:
CARDOSO, Ciro Flamarion. A crise do colonialismo luso na América portuguesa. In: LINHARES, Maria Yedda (Org.). História Geral do Brasil. 9 ed. Rio de Janeiro: Elseveer, 1990 – 26ª Reimpressão.
Ótimo ensaio. Queria trazer uma indagação da disciplina de Professor Alfredo, quando ele fala sobre, caso Salvador e Recife não rivalizassem tanto no período colonial, poderiam ter desenvolvido com mais força a economia do Nordeste Brasileiro. O que acham?
ResponderExcluirA respeito desse tema, sempre soube que havia uma rivalidade entre Salvador e Recife, situação perceptível nas décadas de 1960 em diante, e talvez a partir de uma visão particular. Sinceramente, nunca consegui sentir, nem consegui ler, dentro do Brasil Colonial, de que havia uma rivalidade tão acirrada entre elas, talvez porque ambas estivessem sob o domínio de Portugal. Ou talvez, essa rivalidade estivesse tão escondida a ponto de não conseguíamos perceber esse fato porque Recife e Salvador, aparentemente, não tentavam se destruir, ao menos abertamente.
ResponderExcluirContudo, o que podemos intuir é que ambas as cidades nordestinas não se uniam, o que é bastante diferente. Essa desunião pôde ser confirmada, tanto no período colonial quanto no imperial, face às características com relação às posturas políticas de ambas. No geral, Recife adotava atitudes liberais enquanto que Salvador apresentava-se conservadora, esta servindo de base para desmoronar, por exemplo, a Confederação do Equador, muito embora no período da ditadura militar a resistência baiana tenha sido bastante notada.
O que pude observar, com relação à possibilidade de Salvador ter sido alijada do seu potencial econômico e político, é que mineiros, “cariocas”, portugueses e ingleses tiveram participação ativa, mas nada relacionado a Pernambuco, volto a dizer, tão claramente. Percebo a probabilidade de haver muito mais interesses de fora do que do próprio Recife nas subtrações sofridas por Salvador, afinal, Recife também decaiu, e uma série de contextos contribuíram para isso também, inclusive a concorrência holandesa.
Partindo dessa premissa, o que dizer de Rio de Janeiro e São Paulo, desde há muito rivais?